Estou de volta...

Novamente, fiquei sem escrever por um tempo... E parece que ficarei por mais algum tempo... POR QUÊ? Não sei... perdi o tempo! Inclusive, se alguém achar algum tempo perdido por aí, é meu. Com certeza absoluta, é meu. "Certeza absoluta" - alguém vai dizer: se é certeza, é absoluta, não existe meia certeza. EXISTE! A minha certeza é sempre parcial, porque parte de mim. Vixxiiii, deixa pra lá esse negócio! Vamos voltar ao tempo, já que esse é o fator justificante da minha ausência...

O tempo perdido. Perguntei para uma amiga: "como eu acho meu tempo perdido?" Ela ficou muda. Chamei sua atenção (estava conversando no MSN), ao que ela respondeu: "I have no idea". Não, ela não é 'gringa'. Além de responder meu clamor em outra língua, mudou de assunto rapidamente... É capaz que ela não saiba mesmo... Esse tal de tempo é uma coisa estranha... Mas as pessoas são estranhas também... Estranhas no psicológico... NÃO!!!! Na mente. Essa mania de chamar todas as coisas que estão na nossa cabeça de psicológicas gera desconforto. Prefiro "mente", e só.
Depois dessa razoável perda de tempo, perdi dentro da mente minhas palavrinhas... Nesse exato momento, meu cérebro deve estar parecido com aquelas sopas de letrinhas que a gente comia quando era pequeno. Acho que nem existem mais. Bom, melhor do que parecer com uma gelatina.

Hoje passei por um momento interessante: conversando com essa mesma amiga, fui percebendo como as nossas relações vão convergindo para os ambientes nos quais os demais são muito parecidos com nós mesmos. Ela disse somos românticas, vemos a vida de uma forma romântica. Como se, quando descobrimos alguma coisa, aquilo parece o elixir de toda a felicidade. Por exemplo, a gente começa a cozinhar e pensa que deveria ter sido chefe de cozinha. Decora a casa e pensa que deveria ter feito arquitetura. E ao mesmo tempo, quer fazer tudo de uma vez e ainda estudar filosofia. Depois, cansa de pensar e acaba dando uma dormidinha. Quando acorda, tem outras mil coisas para fazer, que não foram feitas porque a gente acabou perdendo tempo por pensar demais. Relação estranha essa... Achei que ela estava falando de mim, mas era a descrição dela mesma. Uma dica: começa a prestar atenção nos seus círculos e perceba quanto todos tem muito em comum, na sua diferença. É um exercício muito bom para ver o outro. Logo em seguida, dá para perceber os que não compartilham com a similaridade.

Nem sei qual era mesmo o assunto sobre o que eu queria escrever. Vou deixar aqui apenas uma história muito legal (da vida alheia)...

"ABAIXO À DITA-DURA"

Estava na aula do Professor Bianco (por sinal, um super fantástico daqueles que estão meio escassos no mercado - ele é membro de um trio parada-dura da Filosofia... depois conto mais desses super heróis), quis contar sobre a forma como encontrou o conhecimento. Começou dizendo: devo todo o meu conhecimento à Ditadura. Se não fosse por ela, não estaria aqui hoje.
Dona Benedita cuidou dele e de sua irmã gêmea. Não sabe como ela carregava os dois no colo com uma mão só (ela não tinha a outra). Também dava as aulas de linguística, é isso mesmo, quando ele ia na escola a professora não ficava igual a um papagaio memorex recitando as linhas da apostila. Ela era um carrasco, linha dura. Ainda era época de ditadura militar. Desse contexto saiu um apelido carinhoso para a Dona Dita: Dita-dura. E eles faziam apelos 'carinhosos' a Dona Dita com cartazes que diziam: "Abaixo à Dita-Dura" e ninguém sabia se estavam falando da Dona Dita, ou da Ditadura mesmo. Uma delícia.
Só que a Dona Dita tinha um segredo: quando chegava os final de semana (acho que era isso, mas não me lembro mais... é aquele probleminha que eu tenho com o tempo), ela levava aquele bando de criança até um lugar reservado em sua casa e retirava do armário todos aqueles vinis proibidos! Recitavam, cantavam, interpretavam, escreviam poemas... E a Dona Dita (que tinha deixado a parte dura no colégio) explicava como ia ser perigoso se o mundo soubesse o que eles estavam fazendo ali!

Olha que maravilha isso! Bendita Dona Benedita... Benditos todos aqueles que conseguiram ultrapassar os limites sem que o Estado os engolisse. Bendita arte, com a sua música, sua poesia, sua estética, sua physis. Bendito conhecimento.

Espero que o Professor Bianco não fique chateado por eu ter exposto seu pequeno mundo de Sophia...



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