ESTAR SÓ... QUERENDO ESTAR...
Um dia, ela acordou e percebeu que podia ser feliz sozinha! Isso, sim, era uma descoberta interessante... De repente, passou a bastar o por do sol e uma música preferida no rádio. Um filme clássico também satisfazia e tomava seu tempo, antes dedicado a mirabolantes bobagens, que insistiam em dançar no seu cérebro carente de atenção. Hoje, era o que era. Ontem passou e deixou lembrança boa. Amanhã, não sei... Mas sem grandes preocupações a respeito do que fazer, porque: ela pode fazer o que quiser... Sem amarras, sem crítica, amoral!
O silêncio, agora, era interno... calmo... Mesmo com todas as crianças animadas e felizes, na festa junina, ela estava em silêncio. O medo passou. O medo da solidão, o medo do desconhecido. Era como andar na caçamba de uma caminhonete, com o vento emaranhando os cabelos, gosto de terra no ar, liberdade. E tudo isso para dentro. Uma sensação de leveza. Agora dava para entender "de alma limpa". Agora dava para entender "isso é o que eu quero". Agora dava para entender "ninguém tem nada a ver com isso". E não tem mesmo.
Uma penca de amigos, lindos amigos, que são porque são, sem muita explicação. Não precisa explicar. Não precisa explicar nada. Só fechar os olhos e receber toda a energia do bem. Só fechar os olhos e imaginar a próxima parada: Inglaterra, Espanha, França, Portugal. Só fechar os olhos e agradecer, dessa vez, de verdade, todas as peças do quebra-cabeça que ela já ganhou do destino. Ainda faltam várias peças, mas as que têm, já podem mostrar uma grande parte do desenho dessa vida.
O por do sol, quando a natureza troca de guarda, quando, antes, os grandes questionamentos surgiriam como um trovão, dentro daquela cabecinha perturbada. Mas foi como tirar com a mão. Um dia, ela acordou e percebeu que podia ser feliz sozinha! Não era mais choro de frio de alma, era choro de plenitude. Era choro de alívio. Era choro de luto. O velório de si mesma já havia acabado, a vela já havia queimado, inteira. Acabou... A fase é outra. Ela está pronta.
Uma dia, ela acordou e percebeu que podia ser feliz sozinha! E foi...
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