É HORA DE LAVAR A LOUÇA...
Não sei se é possível descrever... Felicidade é uma coisa engraçada, porque ela de repente vem... Estava triste esses dias - e como não podia estar? - quem conhece a história, sabe... Mas, pensando bem, é possível compartilhar a felicidade, mesmo que nesse dia ela não esteja muito presente... Amei a visita, amei a janta, e a única coisa que eu penso é: ai... se essa casa fosse grande... Cabia todo mundo... Faltou muita gente boa.. Mas tinha muita boa gente, também... Que difícil essa coisa se ter que escolher quem vem... Olha... Já mandei uma rima, vamos tentar em um repente, descrever quanto de bem essa família linda fez-me sentir... Esse final não rimou muito, mas sem problemas, também... Esse "também" pus de propósito, pra estimular a rima... ver se ela vem... Olha aí o resultado... Se gostou: Muito bem! Caso não, ok, meu bem... E vai o poema - ou poesia - nunca entendi a diferença:
Mais de noite que de dia
Tento eu em poesia
Descrever esse momento
Suplicando em um repente
Solidão aconchegada
Com pessoas bem amadas
Que dividiram seu tempo
Logo eu, tão desolada
Maltrapilha e maltratada
Como diriam há algum tempo...
Receber tão belas almas
Que no alto da tristeza
Transformaram a casa em vida
Decidindo que no dia
A noite não dormia calada
Era festa de sushi
Sashimi, pepino e vinho
Vinho, berinjela, e crostata
Muita gente animada
Eu disfarçando a roubada
Que meti minha amiga amada
Que sozinha resolveu
Fazer toda essa comidaiada
"Resolveu" é um pouco forte
Porque bem certo é que eu
Saí de fininho brincando
Com as crianças, até cantando
De leve, ninando neném
Não sabia o que fazer
Mas pra tudo resolver
Assumi com muita honra
O final dessa noitada
Catando os louros e pompas
Prato a prato amontoados
Detergente, bucha e pia
Lavando louça até de dia
Com muita paz e alegria
Sentindo como ser amada
Rima pobre, rima rica
Cantarolando qualquer cantiga
Lembro das bobagens que dizia
Até ver que o fim chegou
Não sou triste por isso
Porque ficou claro pra mim
Essa foi a primeira
De muitas noites vindouras
Trocando risadas e vinhos
Lembrando que só é sozinho
Quem guarda muito rancor
Pros outros que amam a vida
Sempre tem dia de sol
Sempre tem pose de foto
Sempre tem chuva também
Sempre tem corpo presente
Sempre tem gente ausente
Que por mais que não esteja
Ganha brinde e oferenda
Pra estar junto também
Quem não veio, tudo bem
Pelo jeito que acabou
Sem acabar de verdade
Outas noites mais compridas
Suprirão essa necessidade
Estaremos todos juntos
Quem sabe da próxima vez
Com um bando de músicos bobos
Esperando o sol nascer
Bom... Por hoje, é isso...
Nossa, filha, não sabia desses seus dotes poéticos. Ficou muito legal mesmo! Você deveria - não, você deve, continuar a escrever - tentar a prosa... Um conto, um romance... você leva jeito.
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