HOJE É DIA DOS MORTOS

A morte é uma coisa complexa. A sensação de finitude implica em uma ansiedade de vida, que o corpo não acompanha. A cabeça não acompanha. E se, de repente, do pó vieste e ao pó voltará … e é só… e é só? A energia vai desbotando… desbotando… desbotando… até que acaba antes do fim. 

Hoje é o dia dos mortos. Ontem dos santos. Antes, das bruxas. A linha tênue entre os mundos abre uma fenda de presente e de saudade. Saudade de antes e de depois. Saudade nostálgica do dia que eu me for. Mas esse dia não é hoje.

Hoje é o dia dos mortos. Então, melhor cuidar da vida porque, para aqueles, não há mais o que fazer. Melhor cuidar das plantas. Melhor tomar um vinho. Melhor recuperar de vez a energia desbotada e pintar com cores novas.

Hoje é o dia dos mortos. E morro mais um dia só. Porque se morre todos os dias. Porque o dia de ontem já não existe mais e o dia de hoje passa correndo. Ou devagar. Depende de quem está vendo.

Hoje é dia dos mortos. Mas estamos vivos, vívidos, vividos, vivendo. E continuemos … Não é preciso olhar para o final do caminho… tem tanta coisa pra ver no trajeto, que aquele buraquinho escuro fica longe. E quanto mais a gente olha pro caminho, mais longe ele fica.

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