Queridos Avós

Durante a minha vida toda escutei histórias. Histórias da "carrocinha" (como eu chamava, porque nem entendia direito o que 'os adultos' falavam), Mitologia Grega e Romana, histórias da Bíblia, dos Faraós, dos provérbios chineses. Meu pai gostava de contar histórias. Ensinava contando histórias. Até que começou a inventar estorinhas porque o repertório tinha chegado ao fim. Cresci e fui estudar. Aprendi que os livros também contam histórias e li, li muitos livros. Só que estava faltando alguma coisa, estava faltando a minha história. Fui devagar descobrindo as lembranças das brincadeiras, as lembranças das cores, dos gostos, dos amiguinhos e lembrei-me da casa da minha avó.

Era uma casa muito grande (talvez porque eu era pequena), com quartos muito grandes e um quintal enorme. Tinha horta, tinha galinheiro, tinha "embaixo da garagem", onde a gente se escondia. Um dia, fui me esconder lá e dei de cara com uma aranha caranguejeira. Que medo, era um monstro. Peluda e do tamanho da minha mão inteira!!!!! Está certo que a minha mão não era lá aquelas coisas... Mas, um dia, meus avós precisaram vender aquela casa. Que tristeza que eu senti. Até hoje, quando passo na frente da casa me dá vontade de chorar. Acontece que, "de herança", eles voltaram a morar no sítio que era do meu bisavô (pai da minha avó) e muita memória floresceu. E foi aí que eu percebi quanto era gostoso escutar a história da gente. De onde viemos e para onde voltaremos.

Quando as pessoas falam da minha avó, a primeira coisa que elas lembram é do seu café da tarde! Vamos tomar café na casa da Mercedes... É assim que eu começo a minha história.